O momento de dizer “Até logo”

Sem dúvidas, o primeiro grande desafio do intercâmbio é a despedida das pessoas que amamos. Para mim, as pessoas que fizeram deste momento um dos mais difíceis da minha vida foram meu pai, minha mãe, minha irmã Cátia, meu avô e meu afilhado.

Fui surpreendida diversas vezes com homenagens lindas. A primeira delas dos meus melhores amigos, daqueles que, desse o início, estavam do meu lado, acreditando e me apoiando em tudo. Depois veio a dos meus colegas/amigos de trabalho, que me encantavam a cada dia. Aí, minhas colegas de apartamento me surpreenderam e aprontaram uma festinha pra mim. E quando eu já não imaginava nem esperava mais nada, minha irmã Aline, meu pai e minha tia Mari me surpreendem com uma festa cheia de pessoas especiais e lindas. Além disso, meu Facebook e Whatsapp encheram de mensagens lindas, de pessoas que eu nem imaginava.

Mas as despedidas mesmo, o último até logo, começaram na minha última semana em Estação. Fiz questão de visitar as pessoas mais próximas de mim. Claro que não consegui fazer isso com todos os que eu queria, afinal, planejei mal o meu tempo e não pude dar um último abraço em muitas pessoas queridas.

Me despedir de minha irmã Cátia foi a primeira das mais difíceis. Ela me deu um abraço e começou a chorar. Não estava esperando por isso, afinal, nunca convivemos tanto. Mas aquele foi um momento tão raro, tão lindo. Olhei pra ela, para meu afilhadinho de dois aninhos e para minha sobrinha e disse: “- Quando eu voltar, as crianças nem mais vão me reconhecer!”. Choramos como duas crianças.

Depois disso, foi a vez do meu afilhado Muriel. Com crianças é sempre mais difícil e ele, querido, se trancou no carro e não queria mais sair.

No mesmo dia, pela parte da noite, foi a vez dos meus avós. Eles nunca foram muito felizes em saber que eu estava indo para outro lugar do mundo, mas no fim, aceitaram. A parte mais difícil foi abraçar meu avô. Nunca o tinha visto chorando antes. Uma sensação de que talvez eu não o veja mais foi o que mais fez o meu coração doer.

Minha viagem era somente no domingo, mas no sábado já tive que deixar minha cidade. Pegar minhas malas e dar um último abraço no meu pai, foi dolorido, mas também um momento feliz. Dolorido porque eu amo muito ele, e feliz porque ele foi a única pessoa que olhou em meus olhos e disse: “-Vai Lili, é só um ano. Vai viver teus sonhos, que quando você voltar eu, teus verdadeiros amigos e tua família ainda vamos estar aqui”.  Diz se eu não tenho o melhor pai do mundo??? Cada passo que eu dava em direção a porta de casa era uma lágrima caindo, mas sem deixar meu sorriso sumir do rosto. Ele sabia que eu estava feliz e eu sabia que ele sempre acreditou em mim.

Minha mãe foi me levar na rodoviária para eu ir até Passo Fundo. E eu sabia que esse ia ser o mais difícil dos momentos, porque na noite anterior já tínhamos chorado muito. Minha amiga Natália foi me dar um beijo. Linda. Me levou até uma rosa. Minha irmã Aline também foi. Todos que convivem comigo sabem que minha relação com minha mãe nunca foi das melhores. Mas mesmo assim dizer até logo pra ela foi triste. O ônibus chegou. Ela não queria, em momento algum, aceitar minha decisão de viajar. Deixar minhas coisas e tals.. mães né.. Mas mesmo assim, no fim, me ajudou muito. E acredito que aquela rodoviária, nunca viu tantas lágrimas num único dia.

Sim, as despedidas são difíceis, mas como disse meu pai… Quando eu voltar, todos ainda estarão lá e o mais importante, todos estão comigo, dentro do meu coração. E de dentro dele, ninguém sai.

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