Perdida em Dublin

 

img_6680

Segundo dia na nova casa e eu decido sair com meus amigos…

Saí cedo para escapar da chuva (se bem que aqui não tem muito o que querer escapar, afinal, ela aparece sempre de surpresa mesmo). A cada passo que eu dava em direção ao centro, pensava: “- Ah para voltar vai ser super fácil, é só seguir reto a vida toda”. E lá fui eu encontrar Henrique, Marilia, Cezar e Cristina para irmos até o Botanic Garden. O passeio foi incrível, a companhia maravilhosa. Seis horas da tarde e voltamos. Chegamos no Spire (principal ponto turístico de Dublin, que mais é um ponto de encontro do que uma coisa linda) e cada um foi para um lado.  Um detalhe muito importante: Meu celular ficou sem bateria, ou seja, sem Google Maps.

Entrei na rua da Trinity (principal Universidade de Dublin) e segui reto. A cada passo que eu dava pensava comigo: “- Meu Deus, nunca vi essas casas e prédios na minha frente antes.” Já apavorada, continuei andando. Andei  reto por uma hora e nada de encontrar a rua de casa. Minha única vontade era sentar no meio da rua e começar a chorar desesperadamente, mas, como já estava escurecendo, resolvi voltar para o centro. Com a cara e coragem, entrei num mercadinho e pedi para  senhor deixar eu carregar meu celular. Agora, imaginem vocês: eu, nervosa, sem saber falar inglês direito, pedindo para o homem me deixar carregar o celular. Se não fosse trágico, seria cômico (se bem que agora  até é engraçado, me divirto contando isso para os meus amigos). Graças a Deus o carinha tinha um bom coração e deixou eu carregar o celular. Liguei, entrei no Google Maps e adivinha? O mapa mostrava exatamente o trajeto que eu tinha feito. Claro que eu, com toda minha teimosia (afinal o que esperar de alguém que acaba de chegar num país sozinha, perdida e sem bateria no celular?) pensei:” -Isso só pode estar errado.” Então, andei mais uns  minutos e resolvi pegar um ônibus.

Para pior ainda mais a situação, eu não sabia o endereço para falar para o motorista, que se irritou ao ter que ler em meu celular. Enfim, consegui embarcar. A cada minuto que o ônibus andava eu só queria dar tiros em minha própria cabeça. Sim, acredite se quiser, o ônibus fez exatamente o mesmo trajeto que eu havia feito. Quando eu vi que ele passou até o local que eu desci à pé e retornei até o centro por achar que estava perdida, eu só queria morrer. Detalhe: o ônibus passou dois quarteirões depois de onde eu desisti de andar e me deixou na porta de casa.

Enfim, como diz meu amigo Henrique: “-Lili, tu é a única pessoa que eu conheço que consegue se perder em linha reta”.

Riam se quiserem, mas foi tenso.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s