Sim, eu sou uma Au Pair feliz

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Meus pequenos, Harry e Millie

Quando cheguei na Irlanda, não me preocupei muito em encontrar trabalho, pois precisava aprender a me comunicar decentemente. O tempo foi passando e percebi que ser Au Pair seria a melhor opção, visto que Au Pair mora com a família, não têm gastos com nada, tem a oportunidade de aperfeiçoar o inglês e ainda ganhar um dinheirinho para tomar conta das crianças. Comecei a procurar pelos grupos que participo no Facebook e logo surgiram entrevistas. Uma delas, justo a da família que faço parte hoje, me chamou atenção. Quando cheguei para conversar com a mãe, as crianças foram me recepcionando com sorrisos e todos foram muito amáveis comigo. Ao sair de lá, lembro que meu amigo estava me esperando e, quando me avistou, foi logo dizendo: “-O job já é teu né?”. Respondi que não, que era apenas uma entrevista. Ai ele me falou: “-Então me explica este sorriso no teu rosto?”. Estava com aquele sorriso porque a energia da família era tão boa, as crianças lindas, cheias de amor e com o melhor abraço do mundo, que pensei que o trabalho até poderia não ser meu, mas era uma família assim que eu queria encontrar.

Uma semana se passou e recebi uma mensagem no celular. Era Sylvia falando que havia me escolhido. Na hora, chorei de alegria (sim, é verdade, as pessoas que estavam comigo podem confirmar isso), pois a família que eu amei à primeira vista me aceitou. Foi um dos momentos mais felizes do meu intercâmbio.

Comecei a arrumar as minhas malas, mas confesso que com um certo medo. Apesar de feliz, li várias coisas ruins que acontecem com as meninas aqui na Irlanda, afinal, o país não oferece programa de Au Pair e ele não é regulamentado pelo governo irlandês, o que acaba gerando exploração por parte de algumas famílias. Mas como eu precisava trabalhar, mesmo com aquele friozinho na barriga, me despedi dos meus flatmates e fui, com a ajuda da minha amiga Rafaela, para Bray. Antes disso, é claro, conversei muito com a antiga Au Pair da família, que me tranquilizou e me passou todas as informações possíveis (inclusive, aproveito a oportunidade para agradecer a Flávia, por me passar o contato da família e pela paciência de ter respondido todas as minhas dúvidas).

Eu não acredito em sorte ou azar, acredito que somos merecedores daquilo que semeamos ao longo da nossa vida. E, mais uma vez, a vida me surpreendeu. Ao chegar, toquei a campainha, Sylvia abriu a porta e as crianças desceram as escadas, animadas. Recebi abraços e beijos (e a Rafa), além da promessa de que elas cuidariam muito bem de mim. Fofas né?! Eu estava nervosa, mas a mãe foi logo dizendo: “-Don’t worry Lilly.” (Eles me chamam de Lilly e escrevem meu nome com dois L’s e Y). Tinha um jantar maravilhoso a minha espera, com direito a sobremesa, a casa estava toda organizada, mas, a maior surpresa, sem dúvidas, foi o meu quarto. Esperava um cantinho, com uma cama de solteiro e um armário. Mas não, o quarto parecia de princesa, com uma cama enorme, todo decorado, mobiliado, espelheira, igualzinho àqueles que toda menina já sonhou alguma vez na vida. Não poderia ser melhor: “Além de uma família maravilhosa eu tenho o quarto dos meus sonhos!”. Acho que meus amigos e minha família já não me aguentavam mais naquele dia. Fiz chamada de vídeo com todo mundo pra mostrar.

Claro que pensei: “-Ah, isso é só porque é o primeiro dia.” Pasmem, não foi! Passou um mês e eu sou tratada como da família. Eles me incluem em todos os passeios, me levam para jantar, me dão toda a liberdade, conversam e me ajudam com o inglês (inclusive me corrigem quando falo errado) e ainda me dão amor e carinho. E o que eu aprendi até agora, sendo Au Pair? Bem, aprendi que família não precisa ser de sangue e que eu posso ser amada em qualquer lugar do mundo; Aprendi a comer coisas mais saudáveis e a tomar café (não tinha o hábito de fazer isso); Aprendi a gostar de tomate e colocar abacate na salada e no sanduíche (e fica ótimo, podem fazer aí em casa) e a colher blackbarries. Mas, o principal, aprendi que não eram apenas janelas.

Que venham mais meses como este! Só tenha a agradecer por meu Au Pair ser tão perfeito!

OBS: não entendeu a parte das janelas? Dá uma lida na matéria:  É hora de trocar as janelas

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