A vida de ninguém para pra esperar você voltar

Quando a gente decide ir embora, de certa forma, a gente morre. Sim, é isso mesmo. No começo é difícil conviver com a distância, mas a verdade é que a vida de ninguém para pra esperar você voltar. E a sua também não!

Eu sei, é difícil ler isso. Você sente um nó apertar na garganta. E acredite se quiser, escrever é ainda pior.

Semana passada foi a formatura da minha melhor amiga. Claro que eu recebi o convite, mas eu não estava lá. Eu também não estava quando meu afilhado fez a primeira apresentação na escolinha e nem quando minha sobrinha deu os primeiros passinhos. Eu não estava no aniversário do meu pai e nem na festa de natal na casa do meu avô. Eu não estava lá quando meus amigos resolveram fazer aquela viagem que tanto planejamos e nem quando meu melhor amigo terminou o namoro de seis anos e precisava do meu abraço.

Sim, você pode deixar combinado com todo mundo para que te incluam em todas as atividades, mesmo que pela câmera de um celular, mas não é bem assim que acontece… Chega um dia em que eles já não te ‘avisam’ mais aonde será o encontro do final de semana e também não te incluem mais nos grupos de WhatsApp para combinar àquela festa surpresa para o próximo aniversariante.  E a família? Ah , essa se acostuma com o fato de você já não estar mais presente nos momentos especiais e, toda vez que alguém tenta contato, as lágrimas são inevitáveis.

É claro que nos sentimos culpados por estar longe, por saber que nossos pais estão envelhecendo e não estamos por perto. É claro que queremos estar lá, mas sem deixar de estar aqui! É por estas e outras que estamos sempre nos perguntando se vale a pena viver longe das pessoas que amamos e, apesar de saber perfeitamente todos os motivos que nos trouxeram até aqui, estamos sempre nos questionando se viver longe é o que realmente queremos.

É, é difícil não estar lá, ter que seguir um caminho totalmente diferente do que os outros estão acostumados e, mesmo assim, enfrentar tudo com o coração dividido entre ficar ou partir. Mas, diferente de quem morre, nós, que estamos sempre na estrada, temos um mundo para desbravar. E, pra amenizar a eterna frustração de não poder estar em dois lugares ao mesmo tempo, as únicas coisas que nos cabe são uma mochila nas costas, a câmera na mão e um punhado de saudades no coração.

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