Amizades: o que o Intercâmbio une, oceano nenhum separa

A gente chega querendo ser adotado, com cara de cachorro abandonado, louco pra que alguém nos abrace e diga: “Senta, eu sei o que você está sentindo, mas acredite, tudo vai ficar bem.” E vai mesmo.  Ah, e se você é daquelas pessoas que vem com a intensão de passar um período de solidão, longe de tudo e todos, eu sinto em te avisar, mas sua missão será falha.

Quando a porta do hostel se abre já surge o pensamento de: “Meu Deus, o que eu estou fazendo aqui?”. Aí um moço simpático te acolhe com um sorriso: “Seja bem vinda”. Você entra morrendo de vergonha, mas um pouco mais tranquila em sentir um pouquinho do aconchego brasileiro.  Sim, é possível fazer amizades que valem a pena dentro de um quarto de hostel. Afinal, como não se identificar com o ‘mas que bah’ do casal gaúcho e não tirar sarro cada vez que o casal mineiro/carioca fala ‘Texco’.  E a atleta de bodybuilder com suas histórias maluquinhas e coração gigante? E como esquecer aquele que te irrita com as idiotices, mas que também te ajuda pra c4r$l#o com o Google Maps pela cidade.

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Bah, bora comprar pão de queijo no ‘Texco’?

Próximos amigos? Sim, claro. Eles serão os seus flatmates. E olha que serão muitos. E você vai aprender a conviver com cada diferença, vai ter que limpar a sujeira que não foi você quem deixou na pia, vai acordar com a bagunça dos meninos jogando vídeo game às 4 da manhã, vai gritar, vai espernear, vai querer jogar um pela janela. Sim, você vai. Mas também vai querer um abraço de urso do flatmate mais fofo e vai rir horrores com o que é meio surdinho. Vai aprender a mandar mensagem pra alguém ligar o boiler pra você poder tomar banho quente e vai ter que ligar também. Vai ficar preocupado quando alguém não está em casa e não avisou aonde ia. Vai amar cada um de uma maneira diferente. E eles vão estar sempre lá, pra te emprestar um ombro, secar tuas lágrimas, dividir alegrias e fazer muitas viagens.

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Depois? Depois vem os amigos da escola. Aqueles que vão brigar com você na diretoria, que vão tirar um professor da sala e ele não vai mais voltar. Aqueles que também querem aprender inglês, mas, que depois, da aula vão falar: “Vamos tomar uma pint na Diceys?”. Eles serão seus confidentes quando for compartilhar o quanto o professor novo é bonito e vão te ajudar a ensinar palavrões e gírias em português para o professor zoeiro. E você vai sentir tanta falta deles quando sua aula acabar.

Aí vêm os amigos da vida, aquele que cruzam seu caminho sem querer, que só falam inglês e que você sempre pensou ser impossível manter uma conversa, afinal, na primeira vez que os viu falou: “Sorry, I don’t speak English”. E eles vão rir e lembrar disso  todas as vezes que você os encontrar.

Só que quando um parte, ahhh, vai doer. E como vai. Talvez vocês nunca mais se encontrem, talvez passem férias um na casa do outro, ou talvez você até seja convidado para um casamento. Mas a única certeza é de que os momentos que passaram juntos jamais serão esquecidos.

São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Paris, Las Vegas. Fabi, Gui, Maria, Antônio, William, Lea, Sheila, Ju, Paulo… não importa quem, não importa em que parte do mundo. Agora o teu coração var ser igualzinho ao Mapa Mundi, só que dividido com a saudade.

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