Visitar a capital da Alemanha é adentrar a história recente da humanidade, já que Berlim foi palco de inúmeros acontecimentos: 1ª e 2ª Guerra Mundial, Guerra Fria, destruição, derrota, separação, reunificação, reconstrução… E, com a queda do Muro de Berlim, a cidade se tornou mais acessível, padrões se romperam e um local multicultural surgiu.
Uma das experiências mais impressionantes que já tive em viagens foi visitar o Campo de Concentração de Sachsenhausen, um dos mais antigos Campos da Alemanha Nazista e que foi criado para ser “modelo” para todos os outros. Logo na entrada, no topo da Torre de Controle, existe um relógio, que, supostamente, marca o horário exato em que as tropas soviéticas libertaram o Campo das mão de Hitler. Muito que incoerente, uma das coisas que mais chama a atenção é o portão de entrada, esculpido com a frase “Arbeit Macht Frei” (O trabalho liberta). Entre 1936 e 1945, mais de 200.000 pessoas “viveram” ali, e, apesar de não ser um campo de extermínio, milhares de vidas foram perdidas. Uma coisa é certa, a visita ao local não deixa nenhum visitante indiferente. A energia do Campo é muito pesada e conter as lágrimas é quase que um desafio. Os dois locais mais marcantes, em minha opinião, e que me fizeram pensar em quão cruel a humanidade pode ser, foram: a enfermaria, que era utilizada como uma sala de experimentos e um porão onde corpos eram amontoados e, mais tarde, retirados por uma rampa (neste último não tive coragem de entrar).
Portão de entrada, esculpido com a frase “Arbeit Macht Frei” (O trabalho liberta).Janela da sala onde eram realizados experimentos com as pessoas
“Even in our worst nightmares we could not have imagined the horror that awaited us. Soon, that first night, we head shots not far from us, individual shots. We began having to steps over the bodies of prisoners. We realised that anyone who couldn’t go on any further was being shot, right there on the spot. It went on like this days, it really was a ‘death march’. Imagine, they didn’t pick up the bodies, we had to step over our dead comrades and walk on, it was a horrific march, (…), it must have lasted six days.” – Mark Tilevitch, April/May 1945.
Bem no coração de Berlim, o Monumento do Holocausto, dedicado aos milhões de judeus mortos durante o regime nazista, rouba a cena. São mais de 2.700 blocos de concreto cinza escuro, distribuídos em fileiras paralelas, sem nenhum texto, nome ou foto. Existem relatos de que o arquiteto Peter Eisenam projetou o memorial neste formato “para produzir uma atmosfera confusa e intranquila” e que a escultura visa representar um sistema supostamente ordenado que perdeu o contato com a razão humana, assim como foi o Holocausto.
Já o Portão de Brandemburgo, também localizado no centro de Berlim, se tornou um dos principais ícones da capital alemã. Foi cenário de muitos fatos históricos e, sob seus arcos passaram as tropas de Napoleão, desfiles nazistas e membros da realeza. Apesar de ser considerado símbolo da história tumultuada da Alemanha e da Europa, ele também foi eleito o símbolo da paz. É maravilhoso cada minuto observando sua beleza única.
Outros pontos turísticos de Berlim e que vale a pena conhecer são: Berliner Dom, uma das catedrais mais lindas que já visitei na vida; Alexanderplatz, uma das maiores praças da Europa e que tem como principal atração o Weltzeituhr (Relógio Mundial), um relógio astronômico que exibe os diferentes fusos horários de diversas cidades do mundo; Torre de Televisão (Berliner Fernsehturm), que é o edifício mais alto da cidade e que proporciona uma vista incrível do topo; A Ilha dos Museus, que é composta por diversos museus, dentre eles o Museu de Pérgamo, que exibe uma das coleções de antiguidades mais impressionante do mundo;
Portão de Brandemburgo Berliner Dom Canais de Berlim
O Reichstag é o prédio que abriga o Parlamento Alemão (Bundestag) e uma das atrações mais visitadas em Berlim. É uma grande cúpula de vidro, com uma vista de 360 graus da capital Alemã. Bem no centro, um cone espelhado reflete a luz do sol para dentro do prédio para que os visitantes possam ver o funcionamento da câmara. A Domo, projetada pelo arquiteto Paul Wallot, simboliza que as pessoas estão acima do governo, como não era o caso durante o nazismo. O design futurista e transparente da cúpula de Reichestag simboliza a tentativa de Berlim de se afastar de um passado nazista e ir em direção de uma Alemanha unida e democrática. A visita é gratuita, mas precisa ser agendada no site do próprio parlamento com, no mínimo, dois dias de antecedência. OBS: Há possibilidade de você agendar num ‘posto de informações do Parlamento’, como meu amigo e eu fizemos, mas não deixe para “contar com a sorte”, a fila é enorme e não há garantias de que você consiga. Então faz o cadastro no site pra garantir teu passeio.
Por fim e não menos importante, a East Side Gallery, mais conhecida como Muro de Berlim. Assim como o Campo de Concentração, visitar esta parte da cidade foi uma experiência maravilhosa. O Muro que dividiu Berlim por 28 anos hoje é considerado o símbolo da Guerra Fria e também de liberdade. Inúmeros artistas de vários países ilustraram as paredes da Galeria com obras e mensagem que apelam à liberdade e a força do povo berlinense. Apesar de não restar muito muro, percorrer o que sobrou dele e imaginar que você está ali, conhecendo uma parte da história que aprendeu na escola através de livros e filmes, foi uma das melhores partes da viagem.
Ah, Berlim também tem uma vida noturna bem agitada, então, se você curte sair pra badalar e, ao mesmo tempo, quer cultura e história num mesmo local, a capital alemã é destino certo.
Dicas: quando for a Berlim, reserve um dia todo para visitar o Campo de Concentração de Sachsenhausen, pois ele fica a uns 35 min. do centro, tem muita coisa para ser vista por lá e, ao final do passeio, você vai estar esgotado, afinal, a energia do local é bem pesada e você não vai ter vontade de fazer mais nada. Leve calçados e roupas confortáveis, para andar muito, e compre o ticket de metro diário ou semanal (dependendo de quantos dias for ficar). A estação de metrô é um pouco confusa, mas, Google Maps é vida, né?! Meu companheiro nesta viagem foi meu amigo de Passo Fundo, William Romani (tenho que citar aqui, porque se não, terei um amigo a menos – risos), então, se puder, viaje com companhia pra ter com quem brigar – mais risos. Caso interesse, no meu Instagram (@lilicatto) tem diversas fotos com passagens históricas bem interessantes, dá uma conferidinha!!
Rota: Dia 01 – Campo de Concentração de Sachsenhausen; Dia 02 – Passeio pelos parques, Siegessäule (A Coluna da Vitória), Monumento do Holocausto, Portão de Brandemburgo, passeio pelos canais; Dia 02 – Berliner Dom (Catedral de Berlim), Ilha dos Museus, Alexanderplatz, Tv Tower, Praça de Gendarmenmarkt (a praça mais bonita que eu encontrei na cidade), Parlamento Alemão; Dia 03 – Muro de Berlim, passeio pela cidade; Dia 04 – Aproveitamos a manhã para encontrar um amigo e passear pela cidade antes de retornamos para nossos Países.
Gastos: Meu amigo e eu compartilhamos um quarto com mais pessoas no Metropol Hostel Berlin. O valor ficou, em torno de, 15 euros por dia. O hostel fica em frente à uma das estações de trem/metrô, tem um lounge e oferece café da manhã (já incluso na diária). As passagens aéreas custaram, mais ou menos, 70 euros, ida e volta (lembrando que eu moro na Irlanda e que comprei os tickets com uma semana de antecedência, o que acabou saindo bem mais caro). Berlim é uma cidade barata para comer e, principalmente para beber. Você vai encontrar cervejas boas por menos de 2 euros. O ticket diário diário de metrô, custa 7 euros para as zonas AB.